São Leopoldo mais segura - Por Luciano Ferreira Porto - Ten Cel PM
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- 31 de dez. de 2025
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Por muitos anos, São Leopoldo esteve associada, de forma injusta e dolorosa, a um cenário de medo e instabilidade. O município conviveu com índices elevadíssimos de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), com a atuação de criminosos notórios, como Dilonei Melara, além de uma rotina marcada por homicídios, tráfico de drogas, roubos a veículos e comércios, ataques a instituições financeiras e violência armada. Não por acaso, a cidade passou a ser chamada, nos bastidores e até em reportagens jornalísticas, de “Faixa de Gaza”, uma comparação dura, porém reveladora do sentimento coletivo de insegurança que se instalou na comunidade ao longo de anos.
Esse passado recente, contudo, já não define São Leopoldo. Hoje, o município figura oficialmente como a 4ª cidade mais segura do Rio Grande do Sul, resultado de uma transformação profunda, consistente e construída de forma planejada. A mudança é fruto de estratégia, integração institucional e, sobretudo, muita fé, trabalho, coragem e perseverança. Não se trata de acaso, mas da implementação de uma política de segurança pública baseada em policiamento ostensivo qualificado, inteligência policial, gestão por resultados e aproximação real com a comunidade, conforme demonstram análises técnicas e publicações especializadas.
A atuação firme, técnica e contínua do 25º Batalhão de Polícia Militar – “Batalhão Soldado Zemolin” foi decisiva nesse processo. A reestruturação operacional, aliada a abordagens estratégicas, ao mapeamento de rotas criminais, ao reforço das fiscalizações e à integração com as demais forças de segurança, rompeu ciclos históricos de violência. Os resultados são claros e objetivos: registramos redução de 88,72% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), 82,84% no roubo a pedestre, 89,77% no roubo a veículo e 93,30% no roubo a estabelecimento comercial. No período de 7 de julho a 16 de dezembro de 2025, a produtividade operacional também apresentou crescimento expressivo, com 140.050 pessoas abordadas, 24.169 veículos fiscalizados, 2.992 ônibus fiscalizados, 30 armas apreendidas e 243 foragidos recapturados, refletindo diretamente no fortalecimento da segurança pública e no aumento da sensação de tranquilidade da população. Entretanto, segurança pública não se constrói apenas com ação policial. A experiência de São Leopoldo comprova que resultados duradouros nascem da união de esforços. O fortalecimento das parcerias com a Polícia Civil, Ministério Público, Poder Judiciário, Guarda Municipal e órgãos de fiscalização, aliado ao papel fundamental do CONSEPRO São Leopoldo e das entidades representativas da sociedade civil, consolidou um verdadeiro sistema de proteção coletiva. As chamadas forças vivas da comunidade deixaram de ser meras espectadoras e passaram a atuar como protagonistas desse novo tempo.
Essa trajetória de reconstrução também se insere na tradição histórica da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, instituição que há 188 anos se mantém como bastião da ordem pública nos momentos mais difíceis da história gaúcha, sejam enchentes, crises sociais ou desafios urbanos, sempre ao lado do povo. Em São Leopoldo, essa herança se traduziu em presença permanente, liderança responsável e compromisso absoluto com a preservação da vida.
O reconhecimento também é devido à valorosa tropa do 25º BPM, homens e mulheres que enfrentam diariamente o risco real, muitas vezes invisível aos olhos da sociedade, mas essencial para que a normalidade exista. Cada patrulhamento, cada abordagem e cada madrugada fria nas ruas contribuíram para que São Leopoldo deixasse para trás o estigma da violência e passasse a ocupar lugar de destaque no cenário estadual da segurança pública.
Hoje, São Leopoldo já não é lembrada como sinônimo de medo, mas como exemplo de que a ordem pode ser restaurada quando Estado e sociedade caminham juntos. A cidade que um dia foi chamada de “Faixa de Gaza” tornou-se referência de resiliência, fé, trabalho e esperança. E essa conquista pertence a todos: à Brigada Militar, às demais forças de segurança e, sobretudo, à comunidade que nunca deixou de acreditar.
Nada disso, seria possível sem reconhecer aquilo que transcende o planejamento humano. É necessário, com extrema humildade, agradecer primeiramente a Deus, fonte de proteção, sabedoria e força espiritual, que sustentou cada policial, cada gestor e cada cidadão que acreditou que a mudança era possível. A Ele seja dada toda honra e glória.

Luciano Ferreira Porto, é Tenente-coronel PM, Bacharel em Ciências Militares – Área Defesa Social, Pós-Graduado em Gestão Pública, Direito Militar, Direito Penal e Processo Penal Militar, Diplomado da Escola Superior de Guerra – ADESG/RS e Especialista em Gerenciamento de Crises pelo BOPE/RS.






























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