Uma CPI sobre crime organizado que termina longe do próprio crime organizado - Por Bado Jacoby
- Start Comunicação

- 15 de abr.
- 2 min de leitura
A CPI do Crime Organizado termina de forma melancólica e reforça uma percepção cada vez mais comum no Brasil: muitas comissões parlamentares acabam se afastando de seus objetivos centrais e se transformam em instrumentos de disputa política.
O relatório apresentado pelo senador Alessandro Vieira parece mais preocupado em estabelecer um embate institucional com ministros do STF e com o procurador-geral da República do que em aprofundar temas diretamente ligados ao avanço das organizações criminosas no país, que estão inclusive entre seus pares de congresso.
É evidente que críticas ao Supremo fazem parte do ambiente político atual e podem ser legítimas dentro de um debate institucional. No entanto, concentrar boa parte de uma CPI sobre crime organizado em pedidos de indiciamento de ministros acaba parecendo seletivo e distante do que a população espera de uma investigação dessa natureza.
Ao longo dos últimos anos, o Brasil viu crescer a atuação de facções como o PCC e o Comando Vermelho, além de esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas, instituições financeiras, igrejas, apostas, tráfico, milícias e setores sofisticados do mercado. Também surgiram denúncias e suspeitas sobre fraudes bilionárias, escândalos financeiros e operações da Polícia Federal envolvendo nomes influentes da política e da elite econômica.
Nada disso ganhou o protagonismo esperado dentro do relatório final.
A impressão que fica é de que a CPI escolheu mirar em um alvo politicamente conveniente, deixando em segundo plano questões muito mais amplas, profundas e perigosas para o país. E isso ajuda a explicar por que o parecer acabou rejeitado.
Mais do que uma derrota do relator, o desfecho da comissão expõe um problema maior: CPIs que deveriam servir para investigar fatos graves acabam, muitas vezes, funcionando como palanque político, espaço de disputa ideológica e ferramenta de projeção pessoal.
No fim, quem perde é a sociedade, que segue esperando respostas concretas sobre o avanço do crime organizado, suas conexões econômicas e políticas e a falta de capacidade do Estado para enfrentar estruturas criminosas cada vez mais complexas e poderosas. Além disso, é a própria população que paga a conta de um sistema político que muitas vezes transforma CPIs e parlamentos em um grande circo, em todas as esferas legislativas do país, com pouco resultado efetivo para a maioria das pessoas.

Bado Jacoby, é apresentador e repórter da Start Comunicação

























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