Violência contra as mulheres mobiliza vereadoras Iara Cardoso e Karina Camillo no Legislativo de São Leopoldo
- Start Comunicação

- 22 de mai. de 2025
- 3 min de leitura

Em entrevista ao Programa Start News, a vereadora Iara Cardoso (PDT), presidente da Câmara Municipal de São Leopoldo, e a vereadora Karina Camillo (PT), procuradora da mulher no legislativo municipal, foi debatido o assunto sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. Em um momento em que o debate sobre feminicídios ganhou destaque, especialmente após os casos que ocorreram durante o feriado de Páscoa deste ano de 2025, as duas parlamentares reforçaram o papel das instituições públicas na garantia dos direitos das mulheres leopoldenses e na proteção de suas vidas.
“É uma obrigação nossa, enquanto mulheres na política, vir falar sobre temas tão importantes e que infelizmente nos entristecem. O poder público precisa cumprir seu papel com políticas de proteção às mulheres”, afirma Karina. Iara, ao comentar os casos recentes, disse que ficou absurdamente indignada com os feminicídios ocorridos neste período, “um momento que deveria ser de solidariedade e renovação, mas que nos deparamos com a brutalidade”, disse.
As vereadoras destacaram que São Leopoldo tem sido referência em políticas públicas para as mulheres, citando a Delegacia da Mulher, o Centro Jacobina, a Patrulha Maria da Penha e a Ronda Lilás da Guarda Civil Municipal. No entanto, alertaram que muitos desses serviços não funcionam 24 horas. “Temos a lei federal 14.541, que garante o atendimento ininterrupto nas delegacias da mulher, mas infelizmente o governo do Estado ainda não a colocou em prática”, criticou a vereadora Karina. Ela reforçou que a cidade precisa ampliar a divulgação das políticas existentes. “Estamos pensando em fazer uma pesquisa para saber se as mulheres conhecem esses serviços e também queremos levar cursos de formação profissional para dentro dos bairros”.
Iara pontuou que a estrutura de proteção precisa vir acompanhada de transformação cultural. “A gente tem um aparato legal importante, mas por que tem que chegar ao ponto da defesa? Temos que atacar antes, porque a violência não escolhe classe social ou cor. Isso tem que começar no berço e passar pela escola até alcançarmos uma sociedade mais equilibrada e consciente”.
As duas parlamentares também falaram sobre a vivência das mulheres na política e as barreiras impostas pelo machismo estrutural. “A gente é tão eleita quanto qualquer vereador e não somos menores que nenhum deles”, enfatizou Karina, ao lembrar das jornadas múltiplas que recaem sobre as mulheres e das dificuldades para acessar espaços de poder. Iara completou dizendo que a união entre as duas é um diferencial. “Nós temos muito mais convergências do que divergências. Quando se trata de pautas importantes para a vida das mulheres, caminhamos juntas”.
Karina reforçou que a atuação da Procuradoria da Mulher no legislativo municipal é estratégica e que, com o apoio da presidência da Câmara, novas medidas estão sendo estudadas para fortalecer a atuação nos territórios. “A gente precisa fazer esse enfrentamento com coragem. Precisamos de uma rede estruturada, temos promotoras legais populares atuando sem receber nada, e isso também precisa ser reconhecido”, afirmou. Ela destacou ainda que o uso de recursos da própria Câmara pode ser uma alternativa para apoiar iniciativas de formação e empoderamento feminino.
Iara concluiu que a conscientização também precisa alcançar os homens. “O problema são os homens, não as mulheres. A gente tem que encontrar uma forma de sensibilizá-los, de provocar esse clique que leva à mudança de comportamento”.
O enfrentamento à violência contra as mulheres é, portanto, um desafio que envolve não apenas as mulheres, mas toda a sociedade. É necessário que as políticas públicas sejam efetivas, que as leis sejam cumpridas e que haja uma mudança cultural profunda, que envolva a educação, o respeito à mulher e o fim do machismo estrutural. As vereadoras Iara e Karina se mostraram comprometidas com essa luta, buscando ampliar os espaços de proteção, apoio e empoderamento feminino, mas, principalmente, transformando a sociedade para que a violência contra a mulher deixe de ser uma triste realidade.

































Comentários