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Violência nas escolas públicas expõe crise na educação e desvalorização dos professores

O ambiente escolar, tradicionalmente visto como espaço de aprendizado, diálogo e construção coletiva, tem se tornado cenário de violência, agressões e insegurança para os professores(as).


A presidente do Ceprol Cristiane Mainardi e a vice-presidente Rosi Lopes, comentam da campanha "Em Defesa da Educação Pública: Basta de Violência nas Escolas" do CEPROL Sindicato, que representa os profissionais da educação do município, nasceu da urgência de denunciar o que os docentes enfrentam diariamente nas salas de aula. Para o sindicato, não se trata apenas de agressões físicas ou verbais, mas de um conjunto de pressões e abandono institucional que vêm adoecendo a categoria.


“A escola está em disputa. Estamos vendo a educação pública ser gradativamente atacada, precarizada, enquanto se fortalece a ideia de privatização e elitização do ensino”, alertou Mainardi.


Ambiente de trabalho hostil

Casos de professores agredidos por país dentro das escolas, ameaças verbais, pressões psicológicas e ausência de apoio institucional são cada vez mais frequentes. Rosi Lopes complementa: “A escola perdeu o carinho da comunidade. As agressões cresceram nos últimos anos, e muitos políticos e setores da mídia contribuíram para demonizar o professor”. Além da violência, a superlotação das salas, a falta de estrutura física e a sobrecarga com demandas de inclusão, sem preparo e recursos adequados, têm tornado o dia a dia dos docentes praticamente insustentável. “É um cenário de sobrevivência.


Professores querem apenas terminar o mês para receber seu salário”, lamentou Mainardi.

As dirigentes sindicais destacam ainda os efeitos do modelo neoliberal na educação. Para elas, o estímulo ao individualismo, à meritocracia e ao empreendedorismo a qualquer custo destrói os valores coletivos que sustentam a escola pública. “Hoje, temos crianças xingando colegas de ‘CLT’ como se fosse uma ofensa. Isso é reflexo de uma sociedade que perdeu a noção do coletivo”, afirmou Cristiane Mainardi.


Essa mudança de valores reflete-se também na evasão da própria profissão: jovens não querem mais ser professores. “Se continuar assim, em 2040 não teremos mais professores suficientes. A profissão está em extinção”, alertou a presidente do CEPROL.


As educadoras também comentaram sobre a precarização do trabalho docente, com alta rotatividade de professores contratados temporariamente. Em São Leopoldo, segundo Cris Mainardi, há um déficit de cerca de 500 professores efetivos, o que compromete a continuidade pedagógica. “O professor contratado não cria vínculo com a comunidade. E o novo concurso nem sempre supre as necessidades reais”, alertou.


Cris e Rosi também refletiram sobre a origem da desvalorização da docência, muitas vezes associada à sua história como trabalho feminino não remunerado. “A profissão foi construída majoritariamente por mulheres, num tempo em que o trabalho delas era cuidar dos filhos. Essa herança ainda pesa”, explicou Rosi Lopes. “Hoje, mesmo que uma professora tenha mestrado ou doutorado, ainda ouve que não está qualificada.”, conclui.


Casos recentes chocaram a categoria

Em menos de uma semana, duas professoras, do Paraná, morreram em sala de aula após episódios de estresse extremo. Em São Leopoldo, há relatos de pais armados, inclusive de policiais militares fardados, indo a reuniões escolares para intimidar professores.

“Há ameaças, xingamentos, tentativas de agressão e até mensagens em grupos de bairro incitando ódio contra escolas. Mas precisamos destacar: são casos pontuais, não representam todas as famílias. A maioria quer a escola funcionando e deve vir em sua defesa”, ponderou Mainardi.

Apesar do cenário alarmante, o sindicato reconhece avanços recentes na postura da nova gestão da Secretaria Municipal de Educação. 


Violência contra professores é CRIME!

Cris Mainardi foi enfática ao lembrar que desacatar “servidor público no exercício da função é crime previsto no Código Penal”, com pena de até dois anos de detenção. O sindicato garante apoio jurídico completo aos professores em situações desse tipo. “Chega de naturalizar o sofrimento dos professores. Chega de achar que tudo isso é ‘normal’. A escola pública merece ser respeitada e defendida por todos”, concluiu.


O grupo foi unânime em afirmar que a sociedade transfere à escola responsabilidades que pertencem à família e ao Estado. “A escola ensina, mas quem educa é a família. E isso precisa estar claro”, pontuou Rosi Lopes. Ela alertou para o erro comum de responsabilizar exclusivamente o professor pela aprendizagem dos alunos, ignorando fatores como vulnerabilidade social, fome, violência doméstica e ausência de políticas públicas. “Não é a professora que falha quando um aluno não aprende. Falha o sistema, falha o Estado, falha a sociedade”, destacou Rosi. Para ela, o fortalecimento da educação passa pela criação de uma rede de apoio envolvendo famílias, escola, assistência social, saúde e governo. “A escola está dentro da comunidade. Ela não é culpada pela fome, pela violência, pela desigualdade. Mas é um dos poucos espaços onde ainda se pode construir alternativas”, afirmou Cris. Para ela, o combate à educação faz parte de um projeto maior: “Querem silenciar os professores porque a escola ensina a pensar.”, finaliza.


Cris e Rosi fazem um chamado à população: “A escola precisa de vocês. Fortaleçam esse espaço. Não para exigir notas, mas para construir juntos um futuro melhor para nossas crianças.”


Por Mariana Santos - Jornalista - MTB 19788/RS


Leia essa e outras notícias no Jornal Start - Edição junho 2025: https://www.startcomunicacaosl.com.br/jornal


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