À Espera de Brad Pitt - Por Daniela Bitencourt Andara
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Ela estava à espera.
Não esperava apenas a chegada de um avião, esperava um famoso ator de Hollywood. E, quiçá, também, esperava ser vista.
No estacionamento de um aeroporto (quase vazio!), havia uma senhora brincando com o filho? Caindo em um golpe? Ou, quem sabe, sustentando algo muito mais pesado do que uma brincadeira: Ser notada! Ser amada!
Instantaneamente, aos olhos do mundo, virou piada. Virou meme. Virou gargalhada fácil, dessas que não pedem licença, nem empatia.
Vivemos tempos muito estranhos.... Tempos em que a traição ainda perpetua e, também, inicia virtualmente! O amor precisa de curtidas para existir e a dor, quando não viraliza, não importa. As redes sociais expõem tudo, como um palco: a felicidade para acontecer precisa ser exibida, o fracasso é ridicularizado e golpes são cada vez mais ousados (e com a ajuda da inteligência artificial). É preciso estar atento!
E sim, não deixa de ser cômico. Algo quase como cinematográfico, acontece nesta história, digno de um filme de romance, ou comédia, ou quem sabe drama: Como fica o marido? Como fica a vida real que continua depois do vídeo? Como ela explica uma traição que, na verdade, nunca existiu, mas que foi exposta como se tivesse existido?
Como se mede o estrago silencioso que o riso, o deboche faz quando entra em casa, quando chega na família, quando a pessoa se vê menosprezada em um vídeo compartilhado sem piedade por milhões de pessoas? Exposição pública que não pede consentimento, mas invade e dilacera.
Ingenuidade? Maldade? Ou apenas a solidão brincando de existir? Ela repete que foi brincadeira. Talvez tenha sido. Talvez tenha criado um escudo para sobreviver à crueldade da exposição.
E nós rimos porque é mais fácil rir do que admitir o quanto estamos carentes. Carentes de amor, de afeto, de protagonismo, de sermos escolhidos por alguém, nem que seja uma ilusão. Rimos...
E mesmo nessa graça alheia, no fundo, estamos todos esperando algo em algum aeroporto invisível: uma mensagem que não chega, um amor que prometeu voltar (e não voltou!), um reconhecimento que nunca pousou....
Esperamos sonhar com uma vida melhor, viver intensamente, amar sem virar espetáculo, sem ter medo que filmem ou condenem nossa espera.

Daniela Bitencourt Andara, é Pedagoga e Professora da Rede Municipal de São Leopoldo






























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