A escola “Waldirista” de onde Heliomar Franco busca lições para fazer política - Por Bado Jacoby

O resultado das eleições de 2026, especialmente em São Leopoldo, deixou mais do que números nas urnas. A disputa por espaços, a consolidação de lideranças e o surgimento de novos protagonistas oferecem importantes reflexões sobre os rumos da política local.
A principal reflexão, porém, está no grupo do prefeito Heliomar Franco, consolidado como protagonista da política municipal, que juntamente com Simone Dutra, que teve papel importante na articulação da vitória de 2024, e também nesta eleição, confirmou sua força eleitoral.
Heliomar e Simone estiveram entre os apoiadores de primeira linha de Luciano Zucco, eleito governador, e do campo bolsonarista na disputa presidencial. Ainda assim, o prefeito demonstra não estar refém desse grupo.
Heliomar parece compreender que apoiar determinado campo eleitoral não significa fechar portas para os demais. Em vez de governar com sangue nos olhos e faca na boca, mantém canais de articulação muito além do bolsonarismo raiz.
O prefeito identificou de maneira cirúrgica que todo bolsonarista é de direita, mas que boa parte da direita não é bolsonarista e vota nesse campo por falta de outras opções.
Essa leitura não deve ser confundida com oportunismo, mas entendida como uma interpretação pragmática de um contexto social em transformação, no qual muitos não querem ficar presos a uma única bolha política.
Nesse aspecto, a maneira de Heliomar fazer política lembra a do experiente Waldir Schmidt, protagonista da política leopoldense e regional por mais de três décadas. Waldir construiu sua trajetória dialogando, formando alianças e sem se deixar aprisionar por um único campo, mesmo sem abrir mão de suas convicções.
Essa talvez seja a principal lição do período pós-eleitoral. A eleição consolidou Heliomar e Simone, revelou novos nomes e mostrou que lideranças tradicionais precisam se reconstruir ou abrir espaço para novas gerações. Na política, saber de onde vêm os votos é importante. Saber construir pontes para além deles pode ser ainda mais decisivo.
Bado Jacoby, é titular da coluna Radar da Política

























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