Ana Affonso fala sobre reconstrução do PT e desafios da esquerda em São Leopoldo
- Start Comunicação

- 8 de mai. de 2025
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A presidenta do PT de São Leopoldo, Ana Affonso, foi a convidada do programa Start News de quarta-feira (7), onde falou do momento político do partido, os impactos da catástrofe climática na cidade e os caminhos para a remobilização da militância. Ao relembrar sua chegada à presidência, Ana afirmou que assumiu o comando da sigla em um contexto extremamente delicado. “Assumi o partido no olho do furacão, em meio à renúncia do então presidente Guilherme Louzada e a crise provocada pela catástrofe climática. Era um momento muito difícil para o PT e para a cidade”, disse ela.
Ana Affonso explicou que a tragédia interferiu diretamente no processo eleitoral e impossibilitou a execução plena do projeto que vinha sendo planejado pelo governo. “O resultado da eleição foi pautado pela catástrofe. Não foi uma eleição normal. O governo tinha um plano para os 200 anos de São Leopoldo, mas tudo mudou. A prioridade virou salvar vidas e reconstruir a cidade”, comentou. Apesar da derrota nas urnas, ela apontou conquistas políticas significativas. “Nós ampliamos a bancada na Câmara de Vereadores, renovamos com qualidade e hoje temos quatro vereadores muito comprometidos. Cada um representa uma área e atua com integração. Isso é fundamental para a oposição que exercemos.”
Ao falar da reestruturação do partido, Ana foi direta ao reconhecer os erros do passado. “É verdade que em alguns momentos nós nos afastamos bastante da organização dos trabalhadores. Fomos muito absorvidos pelo trabalho de gestão, pelas políticas públicas, e deixamos o trabalho de base em segundo plano.” Segundo ela, esse afastamento foi percebido não só por adversários, mas também por simpatizantes do partido. “Muitas vezes eu escutava das pessoas que não viam mais o PT nas ruas. Cadê o PT que a gente conheceu? A crítica era justa.”
Ela destacou que o partido está agora em um processo interno de autocrítica e reestruturação. “O PT precisa voltar a ser um partido de militantes. Nós precisamos estar nos territórios, nas periferias, nas redes sociais, nos movimentos. Precisamos entender o novo mundo do trabalho, que mudou completamente e exige novas formas de organização.”
Durante a entrevista, Ana também refletiu sobre a dificuldade que o partido tem enfrentado para disputar narrativas nas redes. “A criminalização do PT ainda existe. A gente entra na disputa já perdendo, porque a narrativa do ódio e da mentira se instala muito rápido. Não dá mais para demorar. Se a gente não se posiciona imediatamente, perdemos espaço e a narrativa.”
Ela defendeu que a esquerda precisa investir mais em comunicação. “A extrema-direita faz um trabalho com pouca ética e responsabilidade social, mas funciona pela organização deles. Estão "preparados e orientados para mentir sem qualquer escrúpulo. Precisamos aprender de maneira urgente, lidar com esse modus operante deles e assim equilibrar as narrativas políticas. Não adianta estar na rede se não tiver conteúdo, se não disser o que pensa.”
Com o foco em retomar a presença nas bases , Ana contou que o PT local criou um grupo de trabalho de comunicação. “Estamos desenvolvendo ferramentas para chegar à base popular. O WhatsApp, o Facebook e o Instagram são fundamentais, mas precisamos de conteúdo com identidade, opinião, coragem.”
Encerrando a entrevista, Ana afirmou que o partido precisa recuperar sua essência sem abrir mão da renovação. “Precisamos resgatar elementos da nossa origem, como a radicalidade e o protagonismo nas lutas, mas não basta repetir o PT da década de 80. É preciso um PT renovado, que se comunique com o presente e dialogue com o futuro.”
Ela também abordou a necessidade de reconectar o partido com os jovens e com os territórios. “Queremos dialogar com as juventudes, entender a realidade das periferias e estar presentes onde estão os novos trabalhadores. O mundo mudou e o PT precisa mudar junto.” Para Ana, o maior desafio é transformar filiados em militantes ativos. “Temos que ser mais do que um número. Precisamos ser presença política viva nos espaços onde o povo está.”
A presidenta destacou também que o PT de São Leopoldo continua sendo uma força política relevante na cidade. “Mesmo fora do governo, seguimos mobilizados, organizando a militância, presentes nos conselhos, nos bairros e nas redes. O PT tem história, tem legado e tem compromisso com as lutas do povo. Eu tenho muito orgulho de liderar esse partido neste momento tão desafiador, porque sei da nossa capacidade de se reinventar e voltar mais forte.”
Assista a entrevista:
Da redação do www.startcomunicacaosl.com.br/ Karem Rodrigues - estagiária

































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