Brasil gastou R$ 5,7 milhões com internações por ansiedade em três anos
- Start Comunicação

- 20 de jan. de 2025
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As internações por transtorno de ansiedade generalizada (TAG) custaram R$ 5,7 milhões aos hospitais públicos e privados do Brasil nos últimos três anos, segundo dados da Planisa, empresa de gestão de gastos hospitalares.
O levantamento, realizado em conjunto com a plataforma DRG Brasil, analisou dados de mais de 440 hospitais públicos e privados do País, entre 2022 e novembro de 2024. Nesse período, foram registradas 2.202 internações por TAG.
Já o cálculo de custos foi feito com base no valor médio de uma diária de internação nos hospitais consultados (cerca de R$ 964). O valor considera o uso do leito, material e medicamentos consumidos e os honorários médicos.
Ainda segundo o estudo, a taxa de internações aumentou cerca de um ponto desde o período inicial de análise. Em 2022, a média era de 3,4 internações por TAG para cada 100 mil habitantes, enquanto em 2024 a estimativa era de 4,6.
Para João Pedro Wanderley, psiquiatra do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em termos relativos, esse é um número elevado, mas ele pode ser ainda maior considerando a subnotificação e as limitações no acesso a tratamentos especializados em saúde mental.
O médico explica que o TAG costuma estar ligado a condições como distúrbios gastrointestinais, respiratórios, endócrino-metabólicos, entre outros. Dessa forma, é possível que muitas internações por quadros como esses sejam também ligadas à ansiedade. “Ou seja, no ambiente hospitalar geral, o transtorno de ansiedade é quase uma constante.”
Leitos psiquiátricos
Além disso, muitos pacientes são internados em unidades gerais e não em leitos psiquiátricos, que têm custos ainda maiores. “O aumento nas internações por TAG aponta para a crescente pressão sobre o sistema de saúde, que está longe de ser capaz de atender à demanda crescente de cuidados psiquiátricos”, avalia.
Já para Fabio Molina, psiquiatra do Hospital Regional de Presidente Prudente e da Saúde Digital, do Grupo Fleury, o valor apontado pelo estudo é um custo relativamente baixo quando comparado com a realidade do transtorno. Para ele, é preciso lembrar que o quadro pode fazer com que o paciente não consiga desempenhar suas atividades no trabalho, por exemplo, gerando perdas econômicas. Segundo Molina, um paciente que sofre de TAG sem outra doença psiquiátrica associada raramente é internado.
Porém, o transtorno frequentemente é acompanhado por outras comorbidades. “A internação é reservada para casos graves, quando há risco para a vida do paciente, pensamentos de morte ou tentativa de suicídio, além de agressividade ou falha do tratamento ambulatorial”, diz.
“Muitos pacientes com TAG também apresentam distúrbios gastrointestinais, como síndrome do intestino irritável, e isso pode exacerbar o estado ansioso”, diz Wanderley. Além disso, o paciente recebe tratamento com ansiolíticos e antidepressivos, e apoio psicoterapêutico. “O ambiente hospitalar precisa ser acolhedor e propício à redução do estresse, já que a própria internação pode agravar o quadro ansioso”, complementa.
Fonte: MSN

































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