Canetas emagrecedoras proibidas pela Anvisa são vendidas no Centro de Porto Alegre
- Andressa Brunner Michels - Jornalista - MTB 19281/RS

- há 5 dias
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Ampolas de tirzepatida, medicamento proibido pela Anvisa, estão sendo comercializadas livremente no Pop Center, no Centro de Porto Alegre. Durante um dia de apuração, a equipe de reportagem do G1 RS identificou oferta aberta do produto, orientações detalhadas de uso, promessa de entrega imediata e valores que chegam a R$ 1,69 mil.
Antes mesmo de entrar no centro popular, um homem abordou a equipe perguntando se buscavam “algo especial”. Ao ouvir o interesse por “canetinhas para emagrecer”, questionou se eram repórteres ou policiais. Após negativa, afirmou que conseguiria providenciar ampolas da marca TG, fabricadas no Paraguai. Segundo ele, uma caixa com quatro unidades custaria cerca de R$ 1,1 mil, com entrega no mesmo dia, vinda da Zona Sul da Capital.
Dentro do shopping popular, outros dois vendedores garantiram que o produto era “milagroso”. Um deles chegou a orientar sobre a compra de seringas e explicou detalhadamente como realizar a aplicação. “Emagrece até 10 quilos em um mês”, afirmou, oferecendo o produto por R$ 700. Em mensagens trocadas ao longo do dia, confirmou que conseguiria entregar as ampolas rapidamente e sem exigência de receita médica.
Outra oferta partiu de uma mulher da cidade de Três Coroas, que também comercializava a marca TG. Segundo ela, o produto poderia durar até três meses, dependendo da dosagem. A caixa com quatro unidades era vendida por R$ 1,69 mil, com pagamento apenas em dinheiro.
Riscos à saúde
Especialistas alertam para os riscos do uso de medicamentos sem procedência comprovada. O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional São Paulo, Felipe Henning, destaca que produtos contrabandeados ou falsificados podem não conter substância ativa ou provocar efeitos colaterais graves.
“Quem compra esse tipo de produto se expõe a sérios riscos à saúde, já que não há qualquer controle de qualidade ou segurança”, afirma.
Crime contra a saúde pública
A delegada da Delegacia do Consumidor e Saúde Pública da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Milena Simioli, explica que quem compra o medicamento não comete crime, mas coloca a própria saúde em risco. Já quem comercializa pode responder por crime contra a saúde pública, com penas que podem ser superiores às do tráfico de drogas.
“Se o medicamento não tiver registro na Anvisa, a pena pode chegar a até três anos. Se for falsificado ou adulterado, a punição pode variar de 10 a 15 anos de reclusão”, esclarece.
A Polícia Civil informou que tem recebido denúncias e conduz investigações sobre o comércio clandestino desses produtos, reforçando a importância do registro das ocorrências.
Nota do Pop Center
Em nota, o Pop Center informou que não tinha conhecimento prévio da situação relatada. O empreendimento afirmou que, caso haja comprovação oficial por parte das autoridades, o lojista envolvido terá sua loja automaticamente interditada ou fechada, conforme previsto em contrato e no regulamento interno. A administração também destacou que não compactua com a comercialização de produtos ilegais ou proibidos e que reforçou recentemente seus protocolos de segurança e fiscalização interna.
Redação do www.startcomunicacaosl.com.br | Por Andressa Brunner Michels | Fonte: G1 RS

































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