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Contra a lei, mas aplaudido nas redes: o recado por trás do caso do material de campanha

O episódio ocorrido na manhã desta segunda-feira (24) em São Leopoldo, quando um homem foi detido pela Polícia Civil enquanto recolhia material de campanha eleitoral espalhado pelas ruas, acabou produzindo uma repercussão que vai muito além do fato em si.


As imagens publicadas pela Start Comunicação provocaram muitos comentários e, curiosamente, boa parte deles foi favorável ao homem detido. Muitos, é verdade, carregados de ironia, mas com uma crítica bastante clara à quantidade de material de campanha que toma conta das ruas durante as eleições. E aí está a primeira constatação, a propaganda de rua incomoda muita gente.


É verdade que placas, bandeiras e cartazes continuam sendo uma das formas de publicidade com grande capacidade de exposição e alcance. O candidato fica literalmente diante dos olhos do eleitor. Mas também é evidente o incômodo provocado pela poluição visual e, em alguns casos, até pelo comprometimento da visibilidade no trânsito.


Há, porém, uma segunda questão ainda mais importante. A reação às imagens mostra que existe uma parcela expressiva da sociedade que está desconectada das chamadas bolhas eleitorais e dos extremos que dominam boa parte do debate político atual. É o eleitor médio, que não vive de política, não acompanha todas as disputas das redes sociais e, muitas vezes, simplesmente não tem paciência para o excesso de discursos, brigas e estratégias eleitorais.


Esse eleitor continua sendo maioria. E precisa ser conquistado de outra maneira. Quando uma manifestação como essa recebe tamanha repercussão, talvez a crítica não seja apenas ao formato da publicidade. Pode ser também um sinal de que a própria maneira de fazer política precisa ser repensada.


Nunca é bom o afastamento da sociedade das eleições. Por pior que a política possa parecer para alguns, ela continua sendo o caminho institucional para escolher quem irá tomar decisões que afetam a vida de todos.


Por isso, o episódio desta segunda-feira deixa uma reflexão importante para candidatos, partidos e estrategistas: o eleitor está cada vez mais impaciente e menos disposto a aceitar tudo aquilo que cerca uma eleição.


Talvez, já não baste ocupar todas as esquinas. É preciso descobrir como ocupar, de fato, a atenção e a confiança do eleitor.


Bado Jacoby, é titular coluna Radar da Política

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