Estes meninos - Por Paula Suséli Silva
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- há 10 horas
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Ser mãe de menino numa sociedade machista é ser confrontada diariamente com nossas certezas. A gente acredita que tem opinião formada até ser atravessada por perguntas como: “Posso pintar a unha também mãe?” “É coisa de menina?” “E o que é coisa de menino?”
Para a maioria das perguntas eu tenho uma resposta pronta: o que existe é coisa de adulto e coisa de criança! E achava que isso por si só resolveria tudo. Mas não resolve.
Porque, por trás dessas perguntas, há algo maior. Meninos aprendem desde cedo o que aproxima e o que afasta as pessoas, o que é aceito e o que é ridicularizado, o que representa força e o que representa fraqueza. E não podemos ignorar nosso papel nessa construção social.
A educação parental escancara isso o tempo todo: não existe resposta única. Não há manual que resolva tudo. Há contexto, valores, reflexão e escolhas. Saber dizer “sim” ou “não” é fácil. O difícil é sustentar o espaço entre um e outro, sem se agarrar à primeira certeza só para aliviar o desconforto. Porque quando não toleramos esse espaço, tendemos a endurecer. Simplificamos e repetimos velhos padrões para nos sentirmos seguras, reproduzindo muitas vezes a mesma cultura machista que queremos combater.
Educar exige presença para acolher a pergunta, e coragem para viver o que ainda não tem resposta. A maternidade é incerta e oferece riscos, assim como o amor. E esse lugar do “não saber” faz parte do processo. Mas a gente não quer ensaiar. Quer atuar e ganhar o Oscar de melhor mãe.

Paula Suséli Silva. Mãe de gêmeos. Practioner em PNL e Mestre em Saúde Coletiva

























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