MP da Venezuela abre investigação criminal contra oposição por divulgação de contagem paralela
O Ministério Público (MP) da Venezuela abriu uma investigação criminal contra opositores do presidente Nicolás Maduro por conta da publicação de uma contagem paralela com as atas do resultado das eleições, em 28 de julho.
A informação foi publicada nesta quarta-feira (7) pelo procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab. Desde a eleição, o país enfrenta uma onda de protestos convocados pela oposição. Ao menos 24 pessoas morreram e cerca de 2 mil foram detidas.
De acordo com o Ministério Público, a página na internet com os dados divulgados pela oposição tem documentos "forjados ou falsificados, com os quais se pretende usurpar ilegalmente funções do Conselho Nacional Eleitoral".
O comunicado do MP também afirmou que a divulgação da contagem paralela dissemina informações falsas e gera inquietação na população venezuelana.
"Os responsáveis pela publicação e manutenção dessa página serão investigados pela suposta prática dos crimes de usurpação de funções, falsificação de documento público, incitação à desobediência das leis, crimes informáticos, associação para delinquência e conspiração", informou o Ministério Público.
Ainda conforme o comunicado, o órgão se manterá vigilante "diante de qualquer ato que atente contra a paz e a estabilidade do país.
Atas eleitorais
O chefe do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Elvis Amoroso, disse que entregou à Corte Suprema da Venezuela as atas das eleições presidenciais, segundo a Agência France-Presse (AFP). O órgão eleitoral, alinhado ao atual presidente, Nicolás Maduro, indicou a reeleição para um terceiro mandato.
Maduro foi proclamado vencedor da eleição pelo CNE venezuelano na semana passada com 51,95% dos votos, enquanto o candidato da oposição, Edmundo González, recebeu 43,18%, com 96,87% das urnas apuradas.
A Oposição e a comunidade internacional contestam os números divulgados pelo CNE e pedem a divulgação integral das atas eleitorais. Diversos países do mundo, observadores internacionais da eleição, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União Europeia não reconhecem o resultado e pedem a divulgação das atas eleitorais.
O Centro Carter, ONG que observa democracias e eleições pelo mundo, disse que a eleição "não pode ser considerada democrática".
González se autodeclarou presidente eleito da Venezuela na segunda-feira (5). A autoproclamação de González tem caráter simbólico, porque segundo a legislação venezuelana quem tem poder legal de proclamar um novo presidente é o Conselho Nacional Eleitoral.
Fonte: g1


























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