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O que fica depois de juventude — dica de filme adulto - Por Magali Schmitt

Je m'appelle Agneta é um filme que já nasce sob a sonoridade maravilhosa desse idioma perfeito — a língua dos amantes — e que devia ser a língua oficial do mundo, o francês. Baseado no livro homônimo da escritora sueca Emma Hamberg, é um filme necessário, que faz pensar, que gruda. Daqueles que ficam reverberando na cabeça por dias. Fui dormir pensando, acordei pensando, estou pensando até agora.


Eu me chamo Agneta é este tipo de filme. É um manifesto contra a mesmice, escancara a invisibilidade que nos ronda e que se instala na nossa rotina sorrateiramente. O tipo de filme sustentado por um elenco que poderia facilmente passar por qualquer um de nós na rua sem chamar a atenção. E, por esse motivo, é um filme-espelho onde a gente se enxerga de corpo e alma.


Agneta, às portas dos cinquenta, se vê às voltas com uma vida sem graça. Os filhos cresceram, o trabalho é meia-boca e o casamento não é tudo aquilo. O cotidiano desbotando num lugar isento de afeto. Ao ficar desempregada, repensa seu mundo e aceita uma vaga de au pair na Provença. Mas ela é sueca e não fala francês. Ao chegar, descobre que irá cuidar de um idoso, não uma criança.


Je m’appelle Agneta contraria todas as regras dos filmes modernos. E foi aí que me fisgou. Não tem a pressa e plasticidade das superproduções de Hollywood nem as reflexões profundas ou a ironia ácida dos britânicos. Apenas a sutileza e a complexidade humana que os franceses conseguem traduzir tão bem nas suas películas de uma cor singular.


Aborda o que é mais íntimo para cada um e o que fica depois que a beleza e a juventude se vão. Fala de sentimento, solidão, descoberta, aceitação, amor, sexualidade e tudo junto, sem exagero. Aliás, ao contrário. Tudo é na medida para incomodar e cutucar, ficar latejando. Uma pessoa comum buscando se encaixar e se desamarrar das convenções. Uma boa pedida para quem busca entretenimento com valor. E, se esse argumento sozinho não convence, a paisagem maravilhosa da Provença vai dar conta de te arrebatar.











Magali Schmitt, é escritora e jornalista.



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