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Por que as universidades públicas atrapalham o Velho da Havan? - Por Felipe Diego da Silva

Um professor utópico diria que é através da educação que podemos mudar as coisas. E de fato é através do conhecimento que a humanidade mudou o rumo da sua trajetória. Mas tem gente que não tem interesse que o rumo das coisas mude. É o caso do bilionário Velho da Havan. Não surpreende que seja contra a universidade pública, sinônimo de qualidade, e de orgulho da educação pública produzindo mais de 90% da pesquisa no país. Logo, na utopia de um professor, é aquela educação que dá certo, pois consegue transformar o estado das coisas através da formação de sujeitos do conhecimento.


Esse personagem midiático, fantasiado de gaúcho, no seu ataque às universidades federais do Rio Grande do Sul que ganhou repercussão recentemente, não traz um episódio novo na sua biografia. Ele costuma fazer isso sempre que possível contra universidades públicas. Isso tem sido uma busca da hegemonia discursiva da liberdade de destruição daquilo que pode ameaçar o mundo que ele como bilionário não quer ver ameaçado. Não é a primeira vez que ele se coloca contra mecanismos de transformação e melhoria da vida das pessoas. Ele não quer apenas colocar seus monumentos bárbaros espalhados pelo país em cima de sítios arqueológicos. Ele quer aniquilar quem pensa diferente e não se submete à sua lógica.


O Velho da Havan está do lado daqueles que são contra a pesquisa e a ciência quando essa não está subordinada aos seus interesses. É mais um bilionário que se acha acima de tudo por ter dinheiro com um grande senso pragmático da lógica capitalista de que o importante é ter e acumular, custe o que custar. Para muitos dos seus defensores ele não está errado nessa lógica, inclusive ele pode jactar-se de ser um ignorante, pois tem muito dinheiro. Nessa esteira, tem mais valor que um cientista pensador. Seu discurso é uma ode ao dinheiro e um desprezo ao conhecimento. Esse, para o Velho da Havan, só tem sentido se for para otimizar lucros. Assim ele vende midiaticamente a ideia, que muitos compram, por ser o homem de sucesso da lógica exploratória sem fim. Gaba-se da sua fortuna infinita ao mesmo tempo que é contra a redução de jornada de trabalho nas suas lojas ou contra os míseros 600 reais que uma família ganha num programa social, pois isso pode prejudicar seus lucros infinitos. Nada pode pará-lo, ele se julga e se autopromove como o verdadeiro progresso.


O ódio destilado calculado politicamente pelo Velho da Havan surge justamente da possibilidade de uma universidade pública ter a autoridade independente do capital e poder questionar a sua maneira tacanha de ver o mundo. Nesse contexto, vale lembrar, foi um ferrenho defensor da abertura do comércio na pandemia e contra a autoridade da ciência. Sua própria mãe foi vítima da doença tratando-se com medicamentos apontados como ineficazes.


Com essa visão de mundo, ele é um ferrenho crítico da alta carga tributária no país sobre os empresários, embora os assalariados paguem proporcionalmente mais do que ele. Nesse sentido, universidades públicas só podem ser desperdício de dinheiro do seu rico imposto que ele se gaba de pagar, pois destino de dinheiro público é só se for a juros baixos via BNDES para ele. Afinal a melhoria de vida de uma nação, conforme sua visão de mundo, não se daria com uma produção em massa de cientistas e pesquisadores produzindo novas tecnologias que possam melhorar a vida da população. A solução para a nação se daria com uma loja da Havan em cada esquina.


Esse desenvolvimento do atraso promovido pelo Velho da Havan serve a ele apenas. É um desenvolvimento mesquinho que carrega um discurso de ódio contra quem produz conhecimento, mas cheio de medo de quem pode contradizê-lo. É um discurso que busca a hegemonia da ganância. Embora esse discurso tenha muitos adeptos, as universidades

públicas resistirão e estão aí para combater os monumentos de plástico da liberdade que não suportam quem, com independência, produz pesquisa e dissemina conhecimento.


Felipe Diego da Silva, é Professor da rede municipal e diretor do CEPROL Sindicato

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