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Quando a vida puxa a cadeira - Por Daniela Bitencourt Andara

Esta semana, na Escola, vivi uma situação um tanto curiosa, que me fez refletir.


Eu estava auxiliando uma das crianças a amarrar o tênis. Puxei uma cadeira para me sentar e, enquanto me preparava para sentar, uma criança rapidamente puxou a cadeira para trás. Seu objetivo, com certeza, não era me machucar. Era apenas brincar. Talvez ver a professora cair, parecesse engraçado aos seus olhos infantis.


Por sorte, percebi a tempo e não cheguei a cair.


Depois do tênis amarrado. Conversei com a criança de forma tranquila e carinhosa. Expliquei que, embora ele não tivesse a intenção de me machucar, algumas brincadeiras podem ter consequências que não imaginamos e não são legais.


A conversa terminou ali, com um abraço e a leveza própria da infância.


Mas a reflexão não. Essa ficou um tempo girando na minha cabeça.


Mais tarde, observando as crianças brincarem no pátio, fiquei pensando em quantas vezes a vida também puxa a nossa cadeira. E esta, por vezes, machuca bastante.


Estamos prontos para sentar, confiantes de que tudo está no lugar, e de repente tudo muda. Um plano não dá certo. Uma pessoa decepciona. Outra vai embora para nunca mais voltar. Um emprego termina. Uma amizade se desfaz. Um sonho precisa ser adiado.


E lá vamos nós, seguindo e tentando recuperar o equilíbrio.


Também pensei em algumas pessoas.... Essas parecem ter "PhD" em puxar cadeiras. Algumas nem sempre por maldade. Às vezes por imaturidade, egoísmo, inveja ou simplesmente porque não percebem o impacto de suas atitudes. Outras sim, por maldade. Pessoas que tornam o caminho dos outros mais difícil, calculando milimetricamente as quedas que podem provocar.


Com o tempo, porém, aprendemos algo importante: não podemos controlar quem puxa a nossa cadeira, mas podemos fortalecer nossas pernas, observar melhor, desenvolver o equilíbrio. E principalmente não cair!


E se, por ventura cairmos, aprenderemos a levantar mais rápido.


Talvez amadurecer seja isso: descobrir que nem sempre a nossa cadeira vai ficar onde deixamos, mas ainda assim encontraremos coragem para continuar tentando sentar, sonhar, confiar e seguir em frente.


E, o mais importante: aprender a nunca puxarmos a cadeira de ninguém. Porque a vida (como já falei em outra crônica), tem o poder de fazermos experienciar tanto o bem como o mal que fizermos a outrem. Para no fim das contas, não sermos lembrados pelas cadeiras que puxamos, mas pelas vezes em que aproximamos uma para alguém descansar.


E isso, por si só, já faz a vida ter mais sentido, leveza e felicidade


Daniela Bitencourt Andara, é Pedagoga e Professora da Rede Municipal de São Leopoldo



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