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Quando desenvolver mulheres é desenvolver uma cidade - Por Nana Vier

Nesta semana assisti, pelas redes sociais, a uma palestra de Juliano Colombo, palestrante e mentor que tive a honra de conhecer durante minha trajetória profissional no Sistema FIERGS, especialmente em ações desenvolvidas junto ao SESI-RS. Entre os muitos dados apresentados, um deles permaneceu comigo muito depois que a transmissão terminou.


O Brasil vive uma importante transição demográfica. Estamos envelhecendo como sociedade e, como as mulheres possuem maior expectativa de vida, sua participação na população tende a crescer ainda mais nas próximas décadas. As mulheres já são maioria da população brasileira e continuarão sendo.


Ao mesmo tempo, os dados revelam um contraste significativo. Embora sejam maioria, as mulheres ainda estão sub-representadas no mercado de trabalho. Dados da PNAD de 2025, apresentados por Juliano, mostram que 72% dos homens em idade ativa estavam trabalhando ou procurando emprego. Entre as mulheres, esse percentual era de apenas 53%, uma diferença de 19 pontos percentuais. Segundo dados do IBGE, as mulheres também dedicam cerca de 82% mais horas semanais do que os homens aos afazeres domésticos e às atividades de cuidado.


Esses números ajudam a compreender uma realidade que vai além da qualificação ou da oferta de oportunidades. Por trás dessa diferença existe uma palavra que explica boa parte do cenário: cuidado.


Cuidado com os filhos. Com os pais idosos. Com familiares doentes. Com a casa. Com a rotina da família.


Trata-se de um trabalho indispensável para o funcionamento da sociedade, mas que, na maioria das vezes, permanece invisível e não remunerado.


Por isso achei interessante quando Juliano destacou que a participação feminina no mercado de trabalho não deve ser tratada como uma questão de inclusão. A mulher nunca esteve fora da sociedade. Nunca esteve fora da economia. O que existe é um enorme potencial produtivo que ainda não está sendo plenamente aproveitado.


E isso não é apenas uma pauta feminina.


É uma pauta de desenvolvimento econômico.


Cidades que desejam crescer precisam olhar para as mulheres não como beneficiárias de políticas públicas, mas como protagonistas da transformação econômica e social.


Foi justamente essa reflexão que reforçou minha convicção sobre a importância do projeto Mulher Empreende São Léo, que estamos estruturando em São Leopoldo.


A proposta vai muito além de ensinar alguém a abrir um negócio. Estamos falando de qualificação, geração de renda, fortalecimento da autoestima, empregabilidade, empreendedorismo e resgate da dignidade.


Porque muitas vezes o primeiro passo para uma mulher reconstruir sua vida não é um financiamento ou um curso. É voltar a acreditar em si mesma.


Quando uma mulher conquista autonomia financeira, toda a família cresce junto. Os filhos ampliam suas perspectivas. A comunidade se fortalece. A economia se movimenta.


Desenvolver mulheres não é atender uma causa específica.


É investir no futuro de uma cidade inteira.


Nana Vier, é professora e escritora

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