Quando o mundo nos vê melhor do que nós mesmos - Por Nana Vier
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Foi em uma viagem que comecei a perceber algo curioso. Primeiro foram as camisetas. Em Viena, em Split, em Dubrovnik, em Budapeste… lá estava o verde e amarelo. Camisetas da seleção brasileira, bonés, bandanas, moletons. Homens e mulheres usando referências ao Brasil como quem veste uma marca desejada.
No início pensei que fosse efeito pré Copa do Mundo. Mas não fazia sentido. Se fosse apenas futebol, haveria camisas da Argentina, da França, da Inglaterra, da Alemanha. Mas não, o que aparecia, repetidamente, era o Brasil.
Foi então que minha filha disse “Mãe, o Brasil está na moda.”
Ela contou que, hoje, quando alguém descobre que ela é brasileira, a reação costuma ser de entusiasmo. Há curiosidade, simpatia e até uma certa admiração.
Dias depois assisti a um vídeo de uma jovem europeia que havia sido confundida com uma brasileira. Quando o rapaz foi embora, ela comemorou como quem acabara de receber um elogio inesperado. Ser comparada a uma brasileira significava, para ela, ser vista como bonita.
Aquilo me fez pensar. Nós passamos tanto tempo falando dos nossos problemas que quase esquecemos das nossas virtudes.
Sim, convivemos diariamente com violência, corrupção, desigualdade e crises políticas. Não faz sentido fingir que esses problemas não existem.
Mas também existe outro Brasil. O Brasil da hospitalidade. Da criatividade. Da alegria que atravessa dificuldades sem perder a capacidade de sorrir.
O Brasil da comida que encanta estrangeiros. Quantas vezes ouvi que uma pizza italiana feita no Brasil consegue ser melhor do que muitas servidas na própria Itália? Que a culinária japonesa ganha novos sabores por aqui? Talvez porque sejamos um país formado justamente pela mistura de povos, culturas e tradições.
Lembro de um garçom argentino que conhecemos numa ilha paradisíaca da Croácia. Diante daquele mar azul-turquesa, digno de cartão-postal, ele nos perguntou se estávamos encantados. Respondemos que sim. Então ele sorriu e disse: “Mas nada se compara a Florianópolis.”
Foi curioso ouvir isso tão longe de casa. Talvez porque nós convivamos diariamente com nossas paisagens, elas deixem de nos surpreender. Quem chega de fora, porém, enxerga aquilo que esquecemos de valorizar.
O mesmo acontece conosco. O Brasil não é admirado porque seja perfeito.
É admirado porque é vibrante.
Porque mistura povos como poucos lugares do mundo. Porque transforma diversidade em identidade.
Porque produz música, esporte, moda, gastronomia e uma forma única de acolher as pessoas.
Talvez esteja na hora de aprendermos uma lição com quem nos visita.
Olhar para o Brasil com menos vergonha e mais gratidão.
Reconhecer os problemas sem perder a capacidade de enxergar as belezas.
Afinal, amar um país não significa ignorar seus defeitos.
Significa acreditar que suas qualidades merecem ser preservadas e que seus defeitos podem, e devem, ser transformados.
Às vezes, é preciso atravessar um oceano para descobrir que carregamos conosco algo que o mundo inteiro já havia percebido.
O orgulho de ser brasileiro.

Nana Vier, é professora e escritora

























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