Quando o professor volta - Por Daniela Bitencourt Andara
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Como Professora há alguns (muitos!) anos, entendo que férias de professor não é fuga.
Mas um retorno a si mesmo.
Ensinar, por vezes, cansa! Não cansa só o corpo, cansa a esperança (esse fio invisível que sustenta o dia a dia).
Esperança que a palavra alcance.
Esperança que o olhar encontre.
E que, em meio ao barulho, não só dá escola, mas do mundo, ainda exista espaço para escutar e ser escutado. Esperança que façamos a diferença num cotidiano que anda apressado demais para ouvir até o próprio eco.
Quando terminamos o ano letivo, nosso corpo já pede pausa, mas o nosso coração está em paz, repleto das histórias que ajudamos a construir pelo ano.
Com a chegada das férias, (esse intervalo sagrado e merecido!) ninguém nos pede para ir ao banheiro, ninguém esquece o caderno, ninguém te pergunta se vale nota. Então nos permitimos descansar e dormir.
Dormir com profundidade, pois passamos meses acordando por dentro.
Acordamos sem pressa e, estranhamos o silêncio.
Mas o silêncio também ensina!
Ensina, que ser professor é muito mais do que profissão.
Que também somos filhos, mães, pais, amigos, vizinhos, pessoas que gostam de rir alto, de viajar, de ver filmes, de tomar café (quentinho e sem pressa) olhando para o nada. Esse luxo que só existe quando não há vinte e cinco pares de olhinhos pedindo direção, atenção e acolhimento (que atendemos com prazer e maestria!).
Férias são o momento em que deixamos de ser função e voltamos a ser "pessoa física", inteira.
O curioso é que, mesmo descansando, não conseguimos desligar totalmente.
Escutamos uma criança chorando no supermercado e pensamos em acolhimento.
Escutamos uma pergunta inocente e enxergamos uma aula inteira nascendo ali, no meio da fila do pão.
Não abandonamos o mundo nas férias.
Apenas paramos de segurá-lo nas costas por alguns dias.
E isso é saudável.
É necessário.
É urgente!
Porque ninguém ensina com excelência quando está esgotado.
Descansar não é desistir. É reabastecer a coragem.
E, quando, começamos a nos despedir das férias, meio sem cerimônia, surge um sentimento que o professor conhece bem: uma mistura de vontade de continuar em férias e propósito, que já começa a chamar.
Dá vontade de ficar.
Mas, também, dá vontade de voltar.
Voltar para o barulho que dá sentido.
Para as perguntas cheias de curiosidades e verdades.
Para os conflitos que cansam, mas humanizam.
Para aqueles olhinhos que brilham quando finalmente entendem.
Voltamos diferentes.
Não porque o sistema mudou.
Voltamos diferentes porque descansamos o suficiente para lembrar por que começou.
Voltamos sabendo que não salvaremos o mundo sozinhos. Somos poucos para tamanha proeza! Mas, sem Professor, seria muito pior.
Sabemos, também, que podemos fazer a diferença na vida de alguém e, que, esse alguém, certamente irá lembrar de nossos ensinamentos quando adulto. Lembrar que nós acreditamos. Que não desistimos.
E, por fim, sabemos que educar é um ato de teimosia amorosa.
Por isso, Colegas, curtam esses últimos dias. Depois, respiraremos fundo, ajeitaremos o material, tomaremos mais um gole de café (quentinho!) e vamos juntos iniciar um novo ano letivo.
Não porque é fácil.
Mas porque, em cada recomeço, mora a chance silenciosa de mudar uma vida, inclusive a nossa.

Daniela Bitencourt Andara, é Pedagoga e Professora da Rede Municipal de São Leopoldo

































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