Trabalhadores dos Correios entram em greve por tempo indeterminado no Rio Grande do Sul

Os trabalhadores dos Correios no Rio Grande do Sul iniciaram uma greve por tempo indeterminado, após decisão aprovada em assembleia geral realizada na noite de terça-feira (16), na sede do CPERS/Sindicato, em Porto Alegre. A paralisação ocorre em meio às negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2025/2026, que seguem sem avanços desde a data-base da categoria, em agosto.
A decisão foi reforçada em reunião realizada na tarde de quinta-feira (18), no Sindicato dos Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul (Sintect-RS), que reuniu representantes do sindicato e de diversas entidades. No encontro, foi criticada a falta de uma nova proposta por parte da direção da estatal. Segundo o sindicato, a greve busca pressionar a empresa por avanços nas negociações, que foram levadas ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), sem sucesso até o momento.
Entre as principais reivindicações da categoria estão a reposição salarial acima da inflação, a manutenção de benefícios históricos, a garantia de condições adequadas de saúde e segurança no trabalho e a preservação do serviço postal público.
Uma audiência de conciliação no TST ocorreu no início da semana, mas terminou sem acordo. O sindicato rejeitou a proposta apresentada pelos Correios, que previa apenas a manutenção do acordo vigente, sem aumento real ou concessão de ticket extra, além de alterações em cláusulas do plano de saúde.
De acordo com o secretário-geral do Sintect-RS, Alexandre Nunes, a mobilização de quinta-feira teve como foco a organização do comando de greve e o planejamento das próximas ações. Segundo ele, a adesão no Estado é significativa, especialmente nos centros de distribuição. “A greve iniciou na quarta-feira e está bastante forte, principalmente no setor de distribuição. Estamos trabalhando para trancar a saída desde as 6h no complexo da Sertório e seguimos pressionando por negociação”, afirmou.
Ainda conforme Nunes, as agências seguem abertas, mas com impacto no atendimento. “Há unidades em Porto Alegre onde todos os trabalhadores aderiram à greve, mas o gerente mantém o atendimento sozinho. Isso não chega a fechar a agência, mas compromete o ritmo de trabalho”, explicou.
O sindicato prevê para os próximos dias mobilizações regionais, ações em frente às unidades e novos atos em Porto Alegre. A estimativa do comando de greve é de adesão de 78% entre os trabalhadores da distribuição no Estado, com cidades como Novo Hamburgo registrando até 95% de paralisação.
A greve pode afetar as entregas de fim de ano. Segundo o dirigente sindical, já havia atrasos decorrentes de problemas operacionais relacionados à mudança de sistema interno da empresa, e a paralisação tende a agravar o cenário, especialmente com o aumento do volume de encomendas neste período.
Além do Rio Grande do Sul, sindicatos de outros estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Paraíba, também aprovaram a paralisação. A greve segue sem previsão de encerramento.
Redação do www.startcomunicacaosl.com.br | Por Andressa Brunner Michels | Fonte: Correio do Povo

























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