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Por que tanta gritaria? Um pedido de socorro dos ouvidos - Por Alexon Gabriel

Poderíamos até pensar que seria o grito dos excluídos - semelhante ao movimento que visa denunciar as desigualdades sociais em nosso país - ou daqueles que frequentam qualquer casa legislativa e que vivem à margem da sociedade, dos vulneráveis, das minorias, de Joãos e Marias que fazem das ruas e vielas a sua casa, mas não. Não é desse grito de socorro que falamos. É daquele que vem das tribunas, proferido em excesso por vereadores, deputados, senadores que nos faz ter a impressão de que não estamos em um local onde o decoro e algum tipo de código de ética ditam as regras, mas em uma panela de pressão onde o nosso aparelho auditivo abre mão de sua função e passa a servir de “penico”. Não quero e não irei generalizar. Há exceções, mas pergunto: Por que tanto grito?


Ando pensando nisso: como tudo está no limite do extremo nessas casas, sem espaço para ponderações. Não existe meio-termo em concordar ou não com algo. Muito pelo contrário: quanto mais radical, quanto mais no pólo oposto, melhor. Não é de hoje que esse modus operandi se impõe. De certa forma, parece que quanto mais barulhento maior é o impacto social. É um senso comum leviano, mas acredito ser a lógica da maioria: se alguém está gritando, é porque tem algo a dizer. Quando, na realidade, uma boa comunicação preza exatamente pelo contrário. Não existe aquele meio-tom, a ponderação, a suavidade do diálogo?


Acredito que é muito provável que todo o radicalismo, falatório e gritaria reverberados acima dos decibéis aceitáveis, não sejam tão naturais e muito menos o reflexo do caráter daqueles nobres representantes. É mais provável que os que se vendem como "genuínos" e de "personalidade forte" na verdade sejam apenas pessoas que estão surfando na onda do momento — que é viver acima do tom — para conseguir algo, ser ouvidos ou ganhar a aceitação dos seus pares ou, até mesmo, do povo. O problema é que, quando o limite é esquecido, abre-se espaço para o insulto, que é um grito que fere o diálogo.


Será que aqueles que optam pela gritaria não se deram conta de que a ofensa lançada contra o outro revela mais a sua fraqueza do que a força de suas razões? Afinal de contas, essa predileção pelo grito e pelo insulto contra quem pensa diferente não seria o medo de ouvir a si mesmos? Não teriam, no fundo, medo de que a reflexão e a escuta das razões do outro lhes arranquem a máscara?


Precisamos concordar: quem está convencido de sua verdade não precisa impô-la a socos aos outros. Pode colocá-la sobre a toalha do diálogo, como um banquete para que todos possam desfrutar, sem pretensões de exclusividade. Lembre-se: o insulto é sempre fascista. Em 1961, o filósofo e psicanalista Michel Foucault escreveu no livro A História da Loucura um trecho que me faz pensar desde a primeira vez que o li: "A liberdade, ainda que apavorante, de seus sonhos e os fantasmas de sua loucura têm, para o homem do século 15, mais poderes de atração do que a realidade desejável da carne". Tantos gritos me fazem pensar que essa atração não ficou apenas nos homens do século 15.


Mas como lidar com essa ebulição? Bom, não existe uma receita pronta, mas uma boa base é olhar para a ponderação. Trata-se do fato de que existe uma área cinza entre dois opostos. Não se trata de ser indeciso ou covarde. Ter uma opinião é sempre fundamental. O verdadeiro segredo de qualquer ponderação é saber que a sua opinião pode estar errada. Sem tantas certezas, o mundo não teria tanta gritaria. A democracia é construída com o duro exercício do diálogo, que significa a convicção de que ninguém é dono de toda a verdade.

Por favor, menos gritaria e mais diálogo. Menos berros e mais proposições. Sugiro.





Da redação da Start Comunicação | Alexon Gabriel

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